Governo teme que Alcolumbre freie a PEC e empurre a votação para depois das eleições.
A proposta que promete mexer na rotina de milhões de trabalhadores brasileiros entrou em uma nova zona de turbulência em Brasília: o fim da escala 6×1 pode até avançar na Câmara, mas o Senado virou o grande ponto de interrogação.
Segundo a coluna de Claudio Humberto, no Diário do Poder, integrantes do governo avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode “pisar no freio” da tramitação da PEC, sem confronto direto, mas também sem pressa para colocar o tema na pauta. A leitura é que festas juninas, recesso parlamentar e eleições podem empurrar a decisão para novembro ou dezembro.
O ponto que acendeu o alerta no Planalto
O bastidor mais sensível é político: o presidente Lula se reuniu no Planalto para tratar da pauta, mas, segundo o Diário do Poder, Alcolumbre não teria sido chamado. Em uma pauta que depende das duas Casas do Congresso, ignorar o Senado pode sair caro.
Na prática, o governo tenta vender a proposta como uma entrega social de alto impacto em 2026. A Câmara dos Deputados informou que Lula incluiu o fim da escala 6×1 entre as prioridades do governo para este ano, ao lado de segurança pública e regulação do trabalho por aplicativos.
O que está em jogo
Hoje, a legislação permite jornada de até 44 horas semanais, comum em comércio, restaurantes e hotéis. As propostas em debate buscam reduzir essa carga e ampliar o descanso semanal. O Senado Verifica destaca que ainda não há aprovação definitiva: existem textos em tramitação na Câmara, no Senado e também um projeto do Executivo.
Na Câmara, a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e outros parlamentares, propõe uma jornada de quatro dias de trabalho por semana. A proposição está apensada à PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que também trata da redução da jornada.
Já no Senado, a PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê redução gradual de 44 para 36 horas semanais e está pronta para votação em Plenário. Para ser aprovada como emenda constitucional, precisa passar por dois turnos no Senado e dois na Câmara, com apoio de pelo menos 49 senadores e 308 deputados.
A Câmara acelera, mas o Senado pode segurar
Enquanto o Senado aparece como possível freio, a Câmara fechou um acordo para uma transição mais rápida. Segundo a Agência Brasil, governo e Câmara acertaram prazo de 60 dias para o fim da escala 6×1 após a promulgação da PEC, com redução inicial da jornada de 44 para 42 horas e queda para 40 horas em até 12 meses.
O relator Léo Prates (Republicanos-BA) também propôs que uma das folgas semanais seja preferencialmente aos domingos. A votação na comissão ficou prevista para quarta-feira, 27 de maio, e no Plenário da Câmara para quinta-feira, 28 de maio.
Empresários pressionam, trabalhadores cobram
A disputa virou um cabo de guerra. De um lado, sindicatos, parlamentares de esquerda e movimentos sociais defendem que a mudança melhora saúde, qualidade de vida e produtividade. Do outro, empresários alertam para aumento de custos, impacto em setores intensivos em mão de obra e risco econômico. O Senado Notícias resumiu a disputa como um embate entre “descanso ou recessão”.
Lula tentou acalmar o setor empresarial dizendo que a aplicação da nova jornada levará em conta a realidade de cada categoria, profissão e setor econômico.
Erika Hilton endurece o discurso
A deputada Erika Hilton rejeitou compensações que, segundo ela, possam enfraquecer a proposta. Ela afirmou que não haveria espaço para negociar medidas como desoneração ampla da folha em troca da aprovação e criticou emendas que propõem transição de dez anos.
Uma das emendas citadas pela Agência Brasil foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) e tinha assinatura de 176 deputados, propondo uma transição de dez anos para o fim da escala 6×1.
O resumo da crise
A pauta tem força popular, apelo eleitoral e apoio declarado do governo. Mas, em Brasília, apoio não basta: é preciso controle de calendário, relator, comissão, Plenário e articulação com presidentes das Casas.
E é exatamente aí que mora o risco.
Se Alcolumbre não acelerar no Senado, o fim da escala 6×1 pode virar promessa de campanha, não mudança imediata na vida do trabalhador.
O fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista. Virou teste de força entre governo, Câmara, Senado, empresários e trabalhadores. A Câmara tenta acelerar. O Planalto quer transformar a proposta em vitrine social. Mas o Senado pode ser o lugar onde a pressa encontra o freio.
Você é a favor ou contra o fim da escala 6×1? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para seguir os próximos capítulos dessa disputa.
Fontes: Diário do Poder; Senado Notícias; Senado Verifica; Câmara dos Deputados; Agência Brasil.
Da Redação.
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