Complexo promete 13 mil procedimentos por mês e vira vitrine regional da Saúde
Santa Bárbara d’Oeste colocou nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, uma nova peça no tabuleiro da saúde pública regional: o Cidade Saúde “Lucimeire Cristina Coelho Rocha”.
A entrega reuniu o prefeito Rafael Piovezan, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o vice-prefeito Felipe Sanches, o secretário municipal de Saúde Marcus Pensuti, autoridades locais, familiares da homenageada e representantes da sociedade civil.
Mas a pergunta que fica é direta:
o novo complexo vai realmente desafogar a fila da saúde — ou será apenas uma grande inauguração?
A promessa oficial é ambiciosa. A estrutura deve concentrar especialidades, exames, regulação, vigilância em saúde, farmácia municipal e procedimentos ambulatoriais em um único endereço, no Jardim Alphacenter.
Na prática, a Prefeitura aposta em um modelo de atendimento integrado: o paciente passa pela consulta, faz exames, recebe encaminhamento, realiza procedimentos e, em alguns casos, retira medicamento no mesmo local.
O que foi entregue
O Cidade Saúde foi construído com investimento municipal de R$ 25 milhões, segundo a Prefeitura. O prédio tem quatro andares, 3,6 mil metros quadrados de área construída e 28 consultórios ampliados.
A obra levou 36 meses.
O complexo fica no cruzamento das avenidas Santa Bárbara e Vereador Antonio Carlos de Souza, conhecida como Antonio da Loja, no Jardim Alphacenter.
A expectativa divulgada é que cerca de 300 profissionais atuem no local.
Entre os setores previstos estão:
Centro de Especialidades;
Central de Regulação;
Vigilância em Saúde;
Farmácia Municipal;
salas de enfermagem;
triagem;
recepção;
áreas administrativas;
Centro de Procedimentos Ambulatoriais.

A cifra que chamou atenção: R$ 3 milhões do Estado
Durante a entrega, Tarcísio de Freitas anunciou mais R$ 3 milhões para a saúde de Santa Bárbara d’Oeste.
Desse total, R$ 2 milhões serão destinados ao próprio Cidade Saúde, principalmente para aquisição de equipamentos, realização de exames e ampliação de procedimentos.
Entre os serviços citados estão densitometria óssea, tomografia de coerência óptica e procedimentos oftalmológicos, incluindo cirurgias de catarata.
O outro R$ 1 milhão será direcionado à Santa Casa de Misericórdia do Município para a finalização das obras de dez novos leitos de UTI pediátrica no Hospital Santa Bárbara.
Esse ponto é sensível.
UTI pediátrica não é detalhe técnico. É uma das áreas mais críticas da rede hospitalar, especialmente quando famílias precisam buscar atendimento especializado fora da cidade ou enfrentar regulação para vagas.
O que muda para o morador?
A grande aposta do Cidade Saúde é reduzir deslocamentos e organizar a jornada do paciente dentro do SUS municipal.
Hoje, um dos principais gargalos da saúde pública em cidades médias não está apenas na falta de prédios. Está na fragmentação do atendimento: consulta em um lugar, exame em outro, autorização em outro, remédio em outro.
O Cidade Saúde tenta atacar justamente esse problema.
A Prefeitura afirma que o complexo deve realizar entre 12 mil e 13 mil procedimentos mensais. A estrutura também deve ampliar atendimentos oftalmológicos, mutirões de exames, cirurgias de pterígio e catarata, nasolaringoscopias e outras ações voltadas à redução de demandas reprimidas.
Também estão previstos o Ambulatório de Ostomia, o Ambulatório de Feridas e grupos educativos para obesidade infantil e diabetes tipo 1.
A obra também virou vitrine política
A presença de Tarcísio em Santa Bárbara d’Oeste deu peso estadual à inauguração.
O governador elogiou publicamente a gestão municipal e destacou a proposta de concentrar serviços em um único equipamento. Rafael Piovezan, por sua vez, afirmou que o complexo vai dobrar a capacidade de atendimento e melhorar os serviços ofertados aos barbarenses.
A leitura política é inevitável, mas o impacto real será medido fora do palco: no tempo de espera, na fila dos exames, na marcação de consultas, na entrega de medicamentos e na velocidade dos procedimentos.

Inaugurar é a parte visível.
Funcionar bem todos os dias é o verdadeiro teste.
Um detalhe que merece acompanhamento
Um ponto chama atenção na evolução do projeto: em etapas anteriores, a obra chegou a ser divulgada com valor de R$ 18,4 milhões. Na entrega oficial, o investimento total informado foi de R$ 25 milhões.
A diferença reforça a necessidade de acompanhamento público sobre custos, aditivos, equipamentos, prazos de funcionamento pleno e indicadores reais de atendimento.
Em obras públicas de grande porte, a pergunta essencial não é apenas “quanto custou?”, mas “quanto entrega por mês para a população?”.
Sustentabilidade e economia
O Cidade Saúde também foi apresentado como uma estrutura moderna do ponto de vista energético.
O prédio conta com placas fotovoltaicas, iluminação natural, ventilação natural, lâmpadas de LED e sistema de ar-condicionado. A economia estimada com geração de energia solar é de cerca de R$ 180 mil por ano.
Se confirmado na prática, esse valor pode representar alívio operacional para os cofres públicos ao longo dos próximos anos.
A homenagem por trás do nome
O complexo leva o nome de Lucimeire Cristina Coelho Rocha, ex-secretária municipal de Saúde, que comandou a pasta de 2016 até 2024.
Servidora pública concursada desde 1999, Lucimeire atuou como assistente social, coordenadora do Pronto-Socorro “Dr. Afonso Ramos”, coordenadora do Serviço Social da Saúde, do Centro Médico de Especialidades e da Central de Regulação Municipal, além de diretora de Gestão Estratégica em Saúde.
Também teve atuação regional junto à Comissão Intergestores Regional Metropolitana de Campinas e ao COSEMS/SP.
Durante a inauguração, familiares participaram da homenagem e do descerramento da placa.
O que precisa ser cobrado agora
A inauguração é relevante. O investimento é alto. A promessa é grande.
Mas, para o cidadão, o que importa é simples:
vai diminuir a fila?
vai acelerar exames?
vai facilitar cirurgias?
vai melhorar o atendimento infantil?
vai evitar deslocamentos desnecessários?
vai funcionar com equipe, agenda e equipamento suficientes?
Essas são as perguntas que precisam acompanhar o Cidade Saúde a partir de agora.
Santa Bárbara d’Oeste ganhou um dos maiores equipamentos públicos de saúde de sua história recente. Agora, o desafio sai da construção civil e entra na gestão diária.
Porque prédio impressiona.
Mas saúde pública se mede no atendimento.
Você acha que o Cidade Saúde vai resolver as filas da saúde em Santa Bárbara d’Oeste?
Comente sua opinião e envie esta matéria para alguém que depende do SUS na cidade.
Fonte: Governo de Santa Bárbara d’Oeste.
Da Redação.
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