101 da ONU na mira por elo com Hamas

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Relatório dos EUA cita escolas, médicos e segurança; UNRWA nega validação das acusações

Uma denúncia explosiva voltou a colocar a ONU no centro de uma das maiores crises diplomáticas desde o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel.

O Escritório do Inspetor-Geral da USAID, órgão independente de fiscalização da agência de ajuda externa dos Estados Unidos, afirma ter encaminhado ao Departamento de Estado americano os nomes de 101 atuais ou ex-funcionários da UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, por suposta participação no ataque ou ligação com o braço militar do Hamas, as Brigadas Al-Qassam.

A lista, segundo o órgão americano, inclui diretores de escola, professores, profissionais de segurança, atendentes, conselheiros psicossociais e profissionais da área médica.

O caso é grave porque não envolve apenas suspeitos isolados. A investigação americana aponta uma possível infiltração em setores sensíveis de uma agência humanitária que atua diretamente em Gaza.

E aqui está o ponto que acende o alerta global: se confirmado, o caso não seria apenas uma falha administrativa. Seria uma ruptura profunda de confiança em uma estrutura internacional criada para proteger civis em uma das regiões mais instáveis do mundo.

O que os EUA dizem ter encontrado?

Segundo o resumo investigativo do USAID/OIG, os nomes foram encaminhados para possível suspensão ou impedimento de participação em programas de ajuda financiados pelos Estados Unidos.

Entre os casos descritos no documento, aparecem acusações contra funcionários que teriam dupla atuação: de um lado, cargos formais na UNRWA; de outro, funções ligadas ao Hamas ou às Brigadas Al-Qassam.

O relatório cita, por exemplo, um vice-diretor de escola apontado como subcomandante de companhia das Brigadas Al-Qassam; outro vice-diretor associado a uma brigada em Khan Younis; professores apontados como integrantes de unidades de inteligência ou comando; e um caso em que um funcionário teria recebido ordem para levar mísseis antitanque a um local determinado durante o ataque.

Até agora, o órgão americano afirma que sua investigação resultou em encaminhamentos envolvendo 108 pessoas no total, considerando casos anteriores e novos elementos adicionados ao processo.

O nome que já entrou na lista pública

Um dos nomes citados oficialmente pelo USAID/OIG é Hafez Mousa Mohammed Mousa, ex-funcionário da UNRWA.

Segundo o órgão, ele foi impedido por 10 anos de participar de contratos e atividades financiadas pelo governo dos Estados Unidos. O USAID/OIG afirma que Mousa era operador do Batalhão East Jabaliya do Hamas e teria coordenado comunicações com suspeitos ligados ao grupo durante o ataque de 7 de outubro, enquanto atuava como diretor de escola da UNRWA.

Esse caso é tratado pelo órgão americano como o primeiro impedimento conhecido aplicado pelos EUA a uma pessoa ligada a uma agência da ONU responsável por programas de assistência humanitária.

Por que isso virou uma bomba política?

A UNRWA é uma das principais estruturas humanitárias em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria. A agência atua com educação, saúde, assistência social e apoio a refugiados palestinos.

Por isso, qualquer acusação envolvendo funcionários da agência tem impacto direto em três frentes:

1. A credibilidade da ajuda humanitária

Quando uma agência humanitária é acusada de ter funcionários ligados a um grupo armado, a confiança internacional sofre abalo imediato.

Governos doadores passam a questionar se o dinheiro está chegando aos civis ou se pode ser desviado por redes políticas e militares.

2. A pressão sobre a ONU

O caso fortalece críticos que defendem uma revisão profunda da UNRWA — ou até seu desmonte.

Nos Estados Unidos, parlamentares republicanos já vinham pressionando o governo Donald Trump a cortar relações financeiras com a agência.

3. A guerra de narrativas

Israel acusa há anos a UNRWA de permitir infiltração do Hamas em suas estruturas. A UNRWA, por outro lado, afirma ser alvo de campanhas políticas e diz exigir provas individualizadas antes de validar acusações contra seus funcionários.

No meio dessa disputa, civis palestinos seguem dependentes de assistência humanitária, enquanto vítimas israelenses e familiares de reféns cobram responsabilização pelo ataque de 7 de outubro.

O outro lado: o que diz a UNRWA?

A UNRWA demitiu recentemente 70 funcionários em Gaza, mas afirmou que a medida foi tomada para reduzir riscos de segurança às suas operações, refugiados, funcionários e instalações.

A agência também declarou que as demissões não fazem parte de um processo disciplinar e não representam validação automática das acusações feitas contra os funcionários.

Segundo a UNRWA, a agência pediu repetidamente às autoridades israelenses informações e evidências para sustentar acusações individuais contra funcionários em Gaza.

Essa é a parte mais sensível da história: há uma investigação americana em andamento, há acusações graves, há nomes encaminhados para possível impedimento de atuação em programas financiados pelos EUA — mas também há contestação sobre a transparência das provas e sobre o acesso da agência aos documentos completos.

O histórico: não é a primeira acusação

Em 2024, uma investigação interna da ONU analisou acusações contra 19 funcionários da UNRWA relacionadas ao ataque de 7 de outubro.

Naquele momento, a ONU informou que nove funcionários “podem ter” participado dos ataques e foram demitidos. Em outros casos, a investigação apontou ausência ou insuficiência de provas.

Ou seja: a crise não começou agora. Ela cresceu.

A diferença é que, em 2026, o órgão de fiscalização da USAID afirma ter ampliado a investigação e identificado uma rede muito maior de pessoas sob suspeita, chegando aos 101 nomes encaminhados no novo relatório.

O que ainda precisa ser respondido?

Apesar do impacto da denúncia, há perguntas fundamentais que ainda precisam de resposta pública:

A lista completa dos 101 nomes será divulgada?

Quantos ainda trabalham na UNRWA?

As provas serão compartilhadas com a ONU, doadores internacionais e imprensa?

Haverá investigação criminal nos Estados Unidos?

Outros países financiadores vão rever repasses à agência?

Como proteger a ajuda humanitária sem permitir infiltração de grupos armados?

São perguntas que podem definir não apenas o futuro da UNRWA, mas também a forma como o mundo financia operações humanitárias em zonas de guerra.

Entenda em 5 pontos

1. O USAID/OIG encaminhou 101 nomes ligados à UNRWA para análise de suspensão ou impedimento em programas financiados pelos EUA.

2. As suspeitas envolvem participação no ataque de 7 de outubro de 2023 ou vínculo com o braço militar do Hamas.

3. Entre os cargos citados estão diretores de escola, professores, seguranças, conselheiros e profissionais médicos.

4. A UNRWA demitiu 70 funcionários em Gaza, mas nega que isso valide automaticamente as acusações.

5. A investigação continua e pode gerar novos encaminhamentos, inclusive criminais.

A grande questão

O caso vai muito além de uma disputa diplomática entre EUA, Israel, ONU e UNRWA.

A pergunta central é dura: como garantir ajuda humanitária em Gaza sem permitir que estruturas civis sejam capturadas por redes armadas?

Se as acusações forem confirmadas, o escândalo pode se tornar um dos maiores golpes de credibilidade já enfrentados por uma agência humanitária da ONU.

Se não forem comprovadas com transparência, a crise reforçará a acusação da UNRWA de que a agência é alvo de uma ofensiva política para inviabilizar seu trabalho.

O fato é que a investigação abriu uma nova frente de pressão internacional — e colocou a ONU diante de uma cobrança inevitável: explicar, provar, corrigir e convencer o mundo de que sua estrutura humanitária não foi usada como escudo por interesses terroristas.


O que você acha? A ONU deve abrir uma investigação internacional independente sobre a UNRWA?
Comente sua opinião e compartilhe esta matéria para mais pessoas entenderem o tamanho dessa denúncia.

Fontes: USAID/OIG; Diário do Poder; JNS; Times of Israel e Reuters.

Redação PodemFoco News | Internacional

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